Não é difícil encontrar onde mora Keily de Fátima Oliveira. Basta perguntar sobre a moça de sorriso aberto, da casa de muro rosa, em Entre Rios de Minas (MG). O local recebe, todos os dias, mulheres das mais variadas idades e tipos físicos. Algumas são consultoras de vendas de cosméticos. Outras tantas estão em busca de produtos e conselhos para ficarem mais bonitas.á cinco anos, Keily montou, nos fundos da própria residência, uma verdadeira clínica de estética. De um lado funciona a sala de depilação. Do outro, o escritório da marca Racco, multinacional do segmento de beleza feminina. O lugar está repleto de batons, cremes, colônias, sabonetes. Ela conhece as características de todos os produtos e as preferências de todas que ali chegam. “Eu converso sobre o que precisam e oriento para o que acho que vai combinar mais com elas”.

As conversas vão além da casa. Keily costuma organizar eventos com clientes e com as mais de 200 consultoras ligadas ao escritório dela. Um desses encontros, promovido em janeiro de 2015, lotou a principal casa de shows na cidade. Nos encontros, ela detalha as vantagens dos produtos da empresa que representa, mas também conta a própria história que construiu como empreendedora.

Tempos atrás, ela trabalhava no comércio da cidade, sem muita perspectiva de crescimento. “Queria ser dona de um negócio e alcançar minha independência”. Resolveu, então, direcionar as ações para o público feminino, até então pouco atendido na cidade. Buscou apoio no Sicoob Credicampo, levantou um empréstimo, fez um curso de depilação e adquiriu um pequeno imóvel no centro de Entre Rios de Minas. Estava inaugurada a própria clínica.

A renda melhorou, mas Keily queria expandir os ganhos. Enxergou na rotina da família a oportunidade. A mãe revendia produtos de beleza e, devido ao bom desempenho, recebeu a oferta da empresa de montar um escritório próprio, no qual teria de administrar um amplo estoque de produtos. Declinou. A filha, porém, decidiu encarar. Keily foi novamente ao Sicoob Credicampo e buscou mais um financiamento para o novo projeto. Ela ampliou o barracão onde funcionava a clínica e o transformou em um pequeno centro de distribuição de cosméticos. Foi difícil no início. Exigiu dela muita coragem e persistência, em quantidade que até hoje a impressiona. “Foi preciso deixar o pessimismo de lado para prosseguir”, recorda.

Mesmo naqueles dias de incertezas, Keily sorria. Tinha o apoio do marido, que trabalha em São João del-Rei (MG), do filho, hoje com 11 anos, da mãe, que acabou se tornando a primeira dirigente dela, e do Sicoob Credicampo, que foi acompanhando a nova e crescente realidade financeira. A cooperativa a ajudou na implantação dos boletos e da máquina de cartão de crédito e de débito, medidas que impulsionaram as vendas.

O faturamento foi aumentando. Mais consultoras chegaram. E a ex-balconista se tornou uma empresária promissora. O sorriso aberto continua e, segundo ela, sempre foi sincero. Nunca foi para vender batom.

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